Que sorte a nossa!

Em dias difíceis, que o relógio é o comandante. 
Que os olhos cansados, furtos de tanta cor, tantas formas, corre por onde passa. Ora ligados no contar dos passos, ora vidrados nas mensagens instantâneas. 

Em um mundo carregado de responsabilidades, de garantias incertas, de canções tão pobres quanto as gentilezas que se distribui.
Tão difícil ser, tão fácil querer, tão incessante se ter. 

Tão apenas te encontrei. Reencontrei. No tocar das mãos, no ouvir da voz, no olhar dos olhos, o tempo parou. O mundo andou mais devagar, os detalhes ao redor conseguir notar, e por apenas um minuto nos teus braços pude descansar.

Abraço que foi abrigo sem trancar, a troca que foi histórias sem cessar, o barulho do riso que foi o respirar.


Sem pressa, mesmo sabendo que os dias eram contados. 

Sem medo, mesmo sabendo que podia ser a última vez. Eu quis apenas ser, e fui. 
Não desejei reter, mas quis ter e tive. Não pedi exclusividade, mas tu aqui ficastes. 
Largos das amarras do possuir, eu fui tua, de forma singela, sem excessos, tão leve quanto o segundo de tempo que me apresentou a ti, tão espontâneo quanto olhar teus olhos e não sorrir.

Logo a vida volta devastando tudo aqui dentro, mas faço desse instante de calmaria, do teu calor e o brilho dos teus olhos, meu porto, o atracar do destino para onde quero voltar. 


Que sorte a nossa esse reencontro, fora de hora, tão natural!

Marcelle Beathriz
#FeitadeFé 






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