Quando a vida mais que te surpreende.



A vida andava uma mesmice, daquelas que você acha que nada pode trazer um novo colorido.

Olhava para mim, e para os projetos, e os sonhos, e tanta coisa para se realizar que o tempo era raro demais para se parar de respirar um só segundo, enquanto descansa.

O aconchego de casa, aquele que tem cheiro de café feito por mãe, revigorava a alma, e era pra lá que eu corria. Prencher a alma de vida, mas não por inteiro, não totalmente. O que faltava? Nem eu sabia.

Caminhei dias sem fim, achando que aqule vazio não era nada, além das minhas próprias criações absurdas de não se contentar com o que eu já tinha.

E mesmo que meus pés tivessem pisado em tantos lugares diferentes, meus olhos jamais imaginariam cair diante dos teus. 

Foi como o encanto de se olhar o próprio reflexo na água cristalina, e em seguida mergulhar, para não só mais olhar e sim, sentir. Sentir na pele que aquele olhar devastador, me fez parar um segundo de respirar, enquanto eu admirava a paisagem e torcia para o tempo não mudar.

Fez sol, o calor dos dias que se seguiram aqueceram o frio daquele vazio.
Teu sorriso floresceu um jardim inteiro dentro de mim. Tuas mãos cuidadosamente moldaram impressões.

Eu quis, quis poder extender aquelas horas, só pra te desvendar um pouco mais. Quis que o dia não amanhecesse, só pra te ouvir contar histórias tão sérias que me arrancavam risos depois. Quis teus olhos voltados para mim, para que eu me sentisse tua, só tua enquanto estavas alí.

Eu te quis, tanto. Pois sabia, o verão logo acabaria.

O vazio antes sem sentido, agora tem teu nome. Antes sem explicação, agora tem uma história.

Compreendo que as estações possuam data para começo e fim, no entanto elas retornam periódicamente. E eu espero que o mesmo sol, aqueça novos dias por aqui.

Marcelle Beathriz 



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