Que sorte a nossa!

Em dias difíceis, que o relógio é o comandante. 
Que os olhos cansados, furtos de tanta cor, tantas formas, corre por onde passa. Ora ligados no contar dos passos, ora vidrados nas mensagens instantâneas. 

Em um mundo carregado de responsabilidades, de garantias incertas, de canções tão pobres quanto as gentilezas que se distribui.
Tão difícil ser, tão fácil querer, tão incessante se ter. 

Tão apenas te encontrei. Reencontrei. No tocar das mãos, no ouvir da voz, no olhar dos olhos, o tempo parou. O mundo andou mais devagar, os detalhes ao redor conseguir notar, e por apenas um minuto nos teus braços pude descansar.

Abraço que foi abrigo sem trancar, a troca que foi histórias sem cessar, o barulho do riso que foi o respirar.


Sem pressa, mesmo sabendo que os dias eram contados. 

Sem medo, mesmo sabendo que podia ser a última vez. Eu quis apenas ser, e fui. 
Não desejei reter, mas quis ter e tive. Não pedi exclusividade, mas tu aqui ficastes. 
Largos das amarras do possuir, eu fui tua, de forma singela, sem excessos, tão leve quanto o segundo de tempo que me apresentou a ti, tão espontâneo quanto olhar teus olhos e não sorrir.

Logo a vida volta devastando tudo aqui dentro, mas faço desse instante de calmaria, do teu calor e o brilho dos teus olhos, meu porto, o atracar do destino para onde quero voltar. 


Que sorte a nossa esse reencontro, fora de hora, tão natural!

Marcelle Beathriz
#FeitadeFé 






Aqui o amor que chega primeiro, é o próprio!


Quando finalmente eu me dei conta, que aquela não era eu no espelho.
Que já contavam muitos dias que minhas noites eram sem sono e regadas as lágrimas.
Perdi quilos na balança, mas muito mais que isso, me perdi de mim para encontrar quem não estava a minha espera.

E foi da maneira mais difícil que eu me encontrei. Do meu jeito torto, regido a teimosia.
Eu paguei pra ver, e demorei muito tempo pra acreditar no mal investimento.
Mas no fim, voltei pra mim.

Por que não vale a pena amar por dois. E nem sofrer dobrado.
Amar não é possuir, isso é doença. E eu tava sendo contaminada por você.
Amar não é chorar noites seguidas, isso é tortura.
Eu me recuso a sentir dor, e fingir demência nas frentes das pessoas. Me recuso a viver anestesiada, a espera do dia da mudança, e ele nunca chega.

Quero barulho do riso e coração tranquilo.
Não estou mais anestesiada, mas vacinada para decepção, dor e mágoa.

Aliás, nem perco meu tempo com mágoas, eu que não vou carregar o peso dos seus mal feitos.
Abstenho.

Agora sou assim, leve. Feliz.
Quer ficar, se aconchegue, mas respeite as regras da casa.
Sou eu quem mando, se não quiser ficar, que vá. Nem vou sentir falta.

Eu me perdi para me encontrar, e achei muito mais do que podia esperar.
Encontrei o meu amor, aquele que vem primeiro, que começa por mim, o amor próprio!

Marcelle Beathriz

Sem nós, sem laços, somente eu!


Adivinha? Descobri que posso ser muito melhor sozinha.
Acredita que existe vida aqui fora? Fora desse relacionamento abusivo, que me tirava forças, e me envolvia em uma bola de neve cada vez maior.
Mas quer saber? Hoje percebo que menor era minha visão, eu fazia tudo ser sofrimento por que no fundo tinha esperanças que minha dor pudessem mudar você.
Mas hoje, eu sei o que é ser feliz.

Felicidade é poder sorrir sem motivo, é não ter que depositar nas mãos de alguém a razão para este sorriso. Ser feliz é aproveitar o agora, curtir a companhia das pessoas que me amam, e rir, até a barriga doer.

Hoje não sei ficar parada no mesmo lugar, e não sei depositar expectativas demais no que acabou de chegar. Aprendi a ser leve e se preocupar com o agora, esquecer o passado e deixar que o futuro chegue devagar.

Hoje já não importa quando você liga, eu já não estremeço aqui dentro. Por que o ouvir da sua voz me faz ter certeza que eu sou cada vez mais minha.

Já não espero, portanto não me decepciono. Quero o agora, e o amanhã a Deus pertence porque ele sabe que eu não quero complicar, só relaxar.

Estou pronta para o que vier. Mas não me perturbe, eu marco falta. Não ocupe meu espaço, eu não deixo. E se quiser mudar o placar, eu embargo. Agora sou assim, fica quem eu quero, quem estiver disposto a correr comigo. Se não consegue, eu dispenso. Pois não quero nós, sem laços, prefiro ser eu e quem quiser transbordar que jogue.

Marcelle Beathriz